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Moradoras ganham celular com GPS para mapear favelas do Rio

15/08/2009

Informações vão alimentar mapas na internet, chamados de wikimapas. Escolas, hospitais, igrejas, clubes, bares, entre outros, são cadastrados.

Foto: Iracema Sydronio/ Divulgação

Juliane, Alini, Dandara, Rafaela e Mayara são as 'wiki-repórteres' (Foto: Iracema Sydronio/ Divulgação)

Com um mapa na cabeça e um celular na mão, cinco jovens de favelas cariocas vêm ajudando suas comunidades a garantir um lugar no mundo virtual. Desde junho, elas mapeiam ruas e estabelecimentos da Cidade de Deus, dos morros Santa Marta e Pavão-Pavãozinho / Cantagalo e dos conjuntos de favelas do Alemão e da Maré para o Wikimapa. Até agora são cerca de 600 endereços cadastrados.

Escolas, hospitais, igrejas, clubes, bares, lan houses, nada foge aos olhares atentos das ‘wiki-repórteres’. Um celular com GPS, câmera e acesso a internet é a principal ferramenta para que elas registrem, cataloguem e coloquem no ar cada cantinho de suas comunidades, usando como base um mapa do Google Mapas.

“As favelas não estão no mapa e isso só reforça essa exclusão que já existe no cotidiano”, diz a gerente do projeto, Patrícia Azevedo. “Elas vão andando pela comunidade e mapeando. Em algumas quase não tem rua mapeada, e elas têm que criar essa parte geográfica também”, completa. Estudantes do 3º ano do ensino médio, elas concorrem a uma bolsa de estudos numa faculdade de comunicação. 

Foto: Montagem G1 / Reprodução

Na internet, cada ícone no mapa traz informação de um estabelecimento (Foto: Montagem G1 / Reprodução)

Correios e desapropriação

“Aqui tem muita gente que está sendo desapropriada e ficava com medo. Depois eles entendem que é a inclusão das favelas num mapa virtual”, conta a ‘wiki-repórter’ Alini dos Santos, de 28 anos, moradora do Cantagalo, beneficiada por obras do PAC.

Dissociar a imagem das favelas da violência é um dos objetivos do projeto. “É bom pra poder melhorar a imagem da comunidade, que não é muito bem vista lá fora e para passar informações pra quem mora aqui”, explica a ‘wiki-repórter’ Dandara Couto, de 20 anos, que já descobriu uma biblioteca pública na Maré.

“As pessoas na comunidade ficam de mãos atadas. Se a gente incluir as ruas no mapa do correio, por exemplo, não vamos precisar ir lá buscar a correspondência”, exemplifica ela. 

Foto: Iracema Sydronio / Divulgação

Celulares com GPS e internet são as ferramentas de trabalho (Foto: Iracema Sydronio / Divulgação)

Mapas via telefone e internet

Quando não atualizam o site pelo telefone, os acréscimos são feitos pela internet. “Qualquer pessoa pode mapear qualquer comunidade. É só se cadastrar e baixar o aplicativo”, explica Patrícia. A ferramenta permite ainda que internautas denunciem se o estabelecimento não existir, tiver fechado ou ficar em outro lugar.

Para facilitar a integração, o projeto, da ONG Rede Jovem, conta com parcerias de 135 instituições comunitárias e pretende fazer oficinas de capacitação para ensinar moradores a usar o mapa e se familiarizar com a ferramenta.

fonte: G1

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