02/02/2007
China têm liderado grupo de países que controlam conteúdo na internet. Poder político e empresarial do país dificulta a abertura.
A China está liderando um crescente e sofisticado movimento de regimes autoritários para restringir o uso da internet. Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (01) pela organização Repórter Sem Fronteiras (RSF) alertou que as técnicas cada vez mais desenvolvido da China para o controle da internet aumentam a preocupação de que essa marca de censura seja exportada.
O país têm o maior número de presos no mundo por atividades on-line consideradas inapropriadas pelo governo. Enquanto há apenas cerca de 10 pessoas no resto do mundo presas por colocar criticas a governos na web, na China 52 estão presas pelo mesmo motivo. Apesar disso, alguns regimes estão tentando imitar seu sistema de restrição de liberdade relativa a internet.
“Com o aumento da influência política da China, as pessoas estão imaginando se o modelo de internet do país, baseado na censura e vigilância, possa algum dia ser imposto para o resto do mundo”, disse um porta-voz da organização.
Em um discurso mês passado, o presidente chinês Hu Jintao não escondeu suas ambições para o país, chamando o partido comunista para “purificar o ambiente da internet.”
Segundo a RSF, quatro pessoas estão presas no Vietnã, três na Síria e uma na Tunísia, Líbia e Irã, por críticas aos países na web. As autoridades desses governos estão trabalhando forte com os últimos desenvolvimentos tecnológicos, como o YouTube. Com o sucesso do site, os países querem filtrar alguns vídeos, que oferecem conteúdo ‘subversivo’ para a China ou ‘imoral’ para o Irã, por exemplo.
A China permanece como a força mais poderosa no controle da internet não só por causa de sua tecnologia, mas através de seus homens de poder e sua força política, “que influencia as companhias do setor, como Google, Yahoo!, Microsoft e Cisco Systems, a fazer o que ela quer”, disse a RSF.
Apesar disso, os usuários estão se organizando para conseguir novas formas de furar esses bloqueios ditatoriais, protegendo sua autonomia. A RSF, porém, enfatiza que essa luta não pode ser feita somente pelos internautas, e precisa do apoio de outros governos e corporações que apóiam a democracia e a liberdade de expressão.
“Se empresas e países democráticos continuarem abaixar a cabeça para a questão e jogar a responsabilidade ética para os outros, nós certamente estaremos logo em um mundo onde todas as nossas comunicações são espionadas”, diz a organização.
fonte: G1